Capitã Marvel – Opinião

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Sabíamos muito antes de ver o novo filme do MCU – Capitã Marvel, que seria polêmico escrever sobre ele. Não pela personagem, que surgiu há muito tempo nos quadrinhos e que já passou por diversas alterações ao longo das décadas, mas pela forma como a Disney provavelmente a usaria, e pela promessa de que ela seria a personagem mais poderosa do Universo Cinematográfico da Marvel, mesmo com sua primeira aparição chegando em uma espécie de retcon por último na franquia.

Antes de eu começar a falar de fato do filme, preparem-se para os Spoilers.

Capitã Marvel de forma alguma usa as bandeiras erradas. Só é fraco em grande parte das atuações (Brie Larson, ganhadora de um Oscar, não consegue encontrar a personagem), dos diálogos (mais bobos do que de costume para um filme Disney), roteiro (raso e previsível demais) e direção (uma dupla bem inexperiente), além de tomar mais liberdades na hora de romper com o material fonte do que poderia aceitar qualquer fã dos quadrinhos. Erra também no timing das piadas, e das músicas dos anos 90 que poderiam ter sido um tremendo acerto, como foram as músicas dos anos 70 em Guardiões da Galáxia. É um filme fraco que nem merece esse ódio todo. A raiva maior é da Disney querer vendê-lo como “o primeiro filme feminista de super heróis”, só por que entupiu ele de temas PC (mesmo que sem a competência de trabalhar tais temas decentemente).

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Parecem se esquecer que houve filmes no passado protagonizados com diversas super heroínas, como Mulher Gato (ok, o filme é esquecível mesmo), Super-Girl (nos anos 80), Elektra, Mulher Maravilha (apesar dos vilões fracos, uma ótima introdução para a personagem). Por si só isso já provoca uma certa antipatia por essa campanha do filme da Capitã Marvel, que parece querer promover o filme usando uma bandeira pseudo feminista. Aliás, isso nos traz a outro problema do filme: querer falar de assuntos sérios como a crise dos refugiados e empoderamento feminino, mas soltos, sem serem melhor trabalhados. Fica claro que quiseram fazer um filme politicamente correto mas que não tem preocupação real alguma com esses temas.

Sabemos que existem diversos tipos de Nerds. Não somos mais um grupo facilmente reconhecido, mas entre nós há vários membros tóxicos que passam dos extremistas que não aceitam uma mudança no design dos seus personagens favoritos, daqueles que se irritam com a menor adaptação feita, mesmo esquecendo que seus heróis mudaram, e muito, desde de suas criações nas décadas de 30 a 60. Entretanto, quando um estúdio como a Disney começa a usar bandeiras importantes na tentativa de vender seus filmes baseados em quadrinhos (com fãs que os acompanham há décadas), apenas para lucrar em cima de uma nova geração de fãs, ela alimenta exatamente os tóxicos e afasta aqueles outros que apenas estavam interessados em ver seus heróis da infância ganhando vida nas telas.

Não sou um crítico profissional para avaliar um filme como Capitã Marvel, ou qualquer outro do gênero Super-Heróis, de forma imparcial, ignorando décadas como fã ávido do material original dos quais são adaptados. Talvez como um filme pipoca para um público menos interessado no desenvolvimento dos personagens e mais na diversão e escape que eles proporcionem nas salas dos cinemas, o filme da Capitã Marvel se mostre uma ótima pedida, seja pelas cenas fofas com o gato-alien/Flocker Goose, seja com a nova menina super poderosa fuckin’ yeah que humilha o vilão bobão que usava ela. Porém, para quem acompanha quadrinhos, o filme é ofensivo. Eles transformaram um dos mais icônicos heróis das década de 70/80 da Casa das Ideias, o Capitão Marvel (Mar-Vell) numa senhora sem poderes que morre nos braços da heroína. Nick Fury teve seu olho perdido exatamente para o mesmo gatinho-alien por quem ele se derrete a cada interação. Transformaram os Skrulls numa raça de refugiados chorões. E agora, querem empurrar uma personagem que nunca foi carismática nos quadrinhos, que sempre teve seus títulos cancelados por falta de interesse do público, no símbolo do empoderamento feminino, na futura líder dos Vingadores (que aliás, recebeu esse nome por causa dela!), e possivelmente na responsável pela derrota de Thanos no filme Vingadores Ultimato, que chega mês que vem nos cinemas.

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Resta agora saber como o público em geral vai receber isso. Vão aceitar calmamente um filme fraco e pretensioso se tornar o primeiro de uma nova onda de produtos enlatados com temas importantes mas não trabalhados, apenas para agradar o paladar de uma nova geração? Ou vão começar a exigir produtos de melhor qualidade que façam jus aos bilhões de dólares que faturam para os engravatados/executivos que não dão a mínima para o que os fãs pensam?

Se há algo que presta nesse filme, é a reflexão que ele nos deixa: Até quando você Nerd vai se deixar ser usado para enriquecer aqueles que não possuem um pingo de respeito pelos personagens que aprendemos a amar por tantos anos?

 

 

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