29/08 – Dia do Gamer

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As minhas primeiras experiências com jogos foram no início da década de 80, naquela época, o primeiro computador que tive acesso foi montado através de peças que vinham juntas com a Revista Eletrônica e passava horas, mais precisamente 120 minutos trancado em um quarto e em silencio absoluto, pois qualquer ruído poderia interferir na transmissão dos dados, enquanto uma fita Basf tocava em um gravador portátil os seus característicos sons de dial up.

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Essa espera era como um ritual, parecíamos crianças sentadas em volta de uma fogueira de acampamento ouvindo uma aventura de terror ou suspense, e eis que depois de algum tempo com perdas e retomadas, a tela do computador brilhava com sua cor característica de fósforo e as imagens iniciais do jogo Elevator Action com a cordinha do nosso espião atravessando a tela até se fixar no topo da imagem em 18 bits de um edifício, e nem pensar em trocar o jogo, se não perderíamos a tarde toda em mais uma tentativa.

Nessa época, uma das maiores diversões que possuía era de uns livros de aventura que narravam os perigos enfrentados por um agente de uma organização temporal que te enviava para uma linha no tempo, onde a cada capítulo do livro você tinha que digitar duas ou três telas de códigos fonte, para conseguir uma simples pista, poder continuar a ler e desvendar os mistérios até ter todas as pistas e conseguir concluir uma simples palavra chave.

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Me veio a mente agora uma outra diversão que me marcou muito nesse período, era os transfers que vendiam nos mercados, uma cartela dobrável com uma imensa imagem e junto vinham folhas de decalc com figuras que você colocava sobre a imagem e riscava com um lápis ou caneta para transferir e fixar a imagem na cena. Para muitos pode parecer uma bobeira inimaginável, mas para quem era criança naquela época via aquilo mais que um brinquedo ou passa-tempo, era literalmente um jogo de ação, onde você comandava os acontecimentos.

É fato que os jogos evoluíram muito, e lamento não ter conseguido acompanhar essa evolução, por nunca ter conseguido me adaptar, como canhoto que sou, à essas modificações de consoles e joysticks que necessitam muito mais de muita coordenação motora e pouca sensibilidade à luz. Ainda sou mais ao velho estilo dedutivo dos padrões que o velhos consoles traziam, apesar de ter experimentado alguns jogos tão ricos em enredo e estórias que acabo me divertindo mais em observar do que ficando tonto com tanta luz e efeitos 3Ds que carregam os jogos do hoje.

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Essa dificuldade adaptativa acabou me levando para outro universo de jogos, os analógicos, que são tão ricos quanto os digitais, mas que mesmo que você “zere” ele, você pode trazê-lo de volta à mesa a qualquer momento que será uma nova experiência, sem contar a necessidade de interação entre os participantes que estão ali na sua frente e você pode também ler seus padrões e antecipar assim, as suas jogadas.

Mas isso não se torna um muro entre os segmentos de jogos, já que existe hoje uma tendência cada vez maior, tanto em trazer os jogos de consoles para a mesa quanto levar os jogos de tabuleiro para o muno digital, sem contar nos que tem trazido uma interação entre o meio digital e o analógico.

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Essa definição de gamer e do dia do gamer, que começou para comemorar originalmente o dia do gamer 16bits, se viu tão ampla e impossível de se separar ou redefinir que acabou abrangendo todo o universo de jogos. Ironicamente comecei o meu dia vendo Pixel que retrata tão bem o anacronismo que nós que jogamos os primórdios das aventuras digitais sofremos e terminei em uma aventura de Hunt of the Ring que representa muito bem a união desses dois universos de jogos, os analógicos e os digitais.

Esse post não era pra ser uma ode aos jogos ou gamers e nem era pra ser parte de um diário pessoal, mas todos nós somos jogadores, vivemos nossa vida nesse imenso jogo de mundo aberto, construímos nosso personagem, criamos um avatar pra apresentá-lo ao mundo, fazemos leituras constantes dos padrões que o mundo nos apresenta, tomamos decisões para valorizar o nosso personagem e seguimos em frente em busca de nossas coins e medalhas nesse jogo de player elimination que é a vida e que não conseguimos prever em nada.

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