Universos Paralelos e Realidades Alternativas

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Esses mundos paralelos e realidades alternativas sempre foram uma boa alternativa para se criar variações e testar pontos de vistas diferentes sobre personagens que se fossem tocados ou modificados poderia despertar uma onda de revoltas sobre os fãs. Mas analisando profundamente existe tanta diferença entre os quanto existem entre os universos DC e Marvel, da mesma maneira que existem semelhanças ou simplesmente réplicas propositais forçadas pela disputa no mercado da 9ª arte.

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Fomos acostumados a encarar aquelas aberturas de estórias da Marvel com O Vigia, ou Uatu para os mais íntimos, que olhava através de você enquanto narrava a presentação de uma aventura propositalmente fora do escopo cronológico conhecido com a frase what if? (O que aconteceria se…). O personagem foi criado em 1963 por Stan Lee e Jack Kirb e desde então vem brincando com o Universo Marvel e suas possibilidades criativas explorando eventos chaves para a cronologia da editora como poderiam se desenvolver se estes tivessem tomados outros rumos ou simplesmente não ocorridos, estava criado o conceito de realidades alternativas adotado pela editora.

Já a DC Comics nos presenteou com uma forma diferente para apresentar versão variadas de personagens e estórias quando em 1961 o Flash conseguiu atravessar as barreiras dimensionais do espaço-tempo que uniam duas terras, em Flash of Two World (Flash de Duas Terras), onde se viu frente a frente com uma versão diferente de si mesmo. Isso abriu caminho para uma nova era no Universo DC Comics com novos mundos e personagens que tinham tudo que o público gostava e poderiam experimentar tudo o que almejavam sem afetar a base original dos personagens e toda a sua história construída até então, firmava-se então o conceito de terras paralelas utilizado pela DC desde então e que definiu as linhas temporais da editora marcando uma linha divisória entre suas eras ouro e prata.

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Ambos os personagens, tanto Uatu da Marvel quanto Barry Flash Alen da DC tiveram um importante papel na definição dos seus universos quanto a afirmação dos mesmo como sua características principais que encantam os fãs até hoje. O Vigia com suas suposições do inimaginável refletia a concepção do fantástico que ajudou a construir todo o Universo Marvel, enquanto Barry Alen trouxe a interpretação da mecânica quântica pra justificar seus experimentos científicos e sua cruzada através dos mundos paralelos definindo contexto científico que une todo o Universo DC.

Claro que isso não se tornou um regra e que ambas a editoras andaram experimentando cruzar essas barreiras invisíveis, porem muito bem galgadas, e conseguiram com sucesso replicar em seus universos características usadas no universo da outra editora. Ainda assim nos últimos anos esse muro gigantesco que unia essas duas irmãs foi colocado à baixo e o que parecia uma cortina de ferro invisível se tornou uma fronteira aberta onde o fluxo migratória era mais de um lado que do outro.

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Em 1986 George Perez e Marv Wolfman aproveitaram a teoria de viagem interdimensional de Flash para reformatar o Universo DC na mega-saga Crisis on Infinite Earths (Crise nas Infinitas Terras) que deixou milhões de fãs estarrecidos e maravilhados. Ainda nesse ano a Marvel lançaria White Event (Evento Branco) trazendo um novo universo num conceito de ambientação mais realista, mesmo que todo ancorado nos acontecimentos da guerra fria, o que acabou sendo o principal motivo, mesmo que velado, para ser extinto tão rapidamente quanto a política mundial mudava.

Ambas as editoras revisitariam seus universos duas décadas depois, a DC trazendo Infinite Crisis (Crise Infinita) que foi precedida por tantas outras crises, como Identity Crisis (Crise de Identidade) e Countdown to Infinite Crisis (Contagem Regressiva para Crise), onde todo o universo conhecido da editora foi novamente reformulado. Já a Marvel preparava o NewUniversal que por sua vez precedeu Marvel Now (Nova Marvel) trazendo, ao contrário da DC, uma pluralização do Universo Marvel conhecido, com a criação de novas terras com concepções muito próximas às adotadas pela DC Comics por muitos anos e o White Event que era pra ser um universo à parte foi definitivamente absorvido por esse novo universo da Marvel.

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Nessa jornada que já nasceu épica, a Marvel detém os direitos criativos do conceito de possibilidades futuras e realidades alternativas que é confundido constantemente com o de mundos paralelos que por sua vez foi criado pela DC Comics. Claro que o princípio de mundo paralelo que replica de diversas formas o mundo real pode ser definido como realidade alternativa também, mas um é oriundo de uma possibilidade se determinados eventos não ocorressem ou fossem alterados e o outro vem diretamente da existência de mundos paralelos e equivalentes.

Com a criação das novas terras do Universo Marvel semelhantes ao Universo DC, inclusive na nomenclatura e varições intermináveis de personagens e acontecimentos, o conceito de mundos paralelos foi fortalecido e afirmado, já que não podiam mais contar com Uatu, que foi morto, para apresentar essa possibilidades temporais. O mais próximo que a DC chegou de um What If? foi o selo ElseWorld onde personagens eram retirados de suas cronologias e bases de criação para viajarem para outros mundos, países ou tempos e viverem suas aventuras. Recentemente a aquisição de Watchmen pela DC Comics trouxe mais mudanças trouxe novas visões sobre toda a cronologia da editora que aproximou toda e qualquer possibilidade destas aventuras passarem a fazer parte da cronologia da DC.

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Se passarmos para as viagens no tempo começaremos a galgar outro terreno ainda mais perigoso. Como vamos justificar que um velocista da Marvel é mais rápido que o da DC se não é capaz de viajar pelo espaço tempo como a sua contra-parte? Por outro lado como alguns personagens cientistas da Marvel conseguem viajar por dimensões místicas enquanto na DC isso só é permitido por personagens exclusivamente místicos que detém poderes quase que supremos? As dúvidas vão sempre pairar pelo universo dos quadrinhos, mas há um alento sobre isso, essa dúvida e questionamento fica restrita ao mundo quadrinhesco americano.

Não se pode definir e nem perguntar à um DCnauta ou um Marvete quem começou com essa história de mundo paralelos ou terra alternativas, apesar de estar bem claro pra mim, pelo histórico das duas editoras e pela fundamentação da criação de seus personagens, cada uma a sua maneira e dentro dos seus objetivos traçados, mas fica óbvio que ambas estão caminhando fronteirissamente ao longo dessa estrada e aproveitando o máximo que suas terras podem lhe oferecer, sem deixar é claro de olhar por cima desse muro invisível que as separaram e reproduzir a seu modo o que conseguem vislumbrar à sua frente. A magia e a ciência estão tão retratadas nesses conceitos de Marvel e DC quanto a possibilidade delas se valerem da essência principal da outra pra melhorar, criar ou desenvolver conceitos, personagens e estórias.

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Já nos conformamos em ver personagens que parecem cópias diretas tanto de uma quanto de outra editora, essa guerra perdura por tanto tempo que nem a percebemos mais, à menos é claro que uma fã desse personagem ou daquela editora venha nos cutucar. Já afirmei por varias vezes em conversas e textos que DC Comics está para Star Trek como a Marvel Comics está para Star Wars, é um pensamento antigo que se replica até hoje em dia,  onde todos esses símbolos que se assemelham nas características e na conglomeração de seguidores acabaram sendo unidos sob a guarda dos mesmo núcleos corporativos, cada um à sua afinidade.

Esse post começou como uma brincadeira para espezinhar um amigo depois de uma discussão sobre quem teria criado o conceito de mundos paralelos e realidades alternativas, que por muito tempo se confundiu e se entrelaçou, ainda mais agora em que um universo se parece mais com o outro que com o seu original, se formos colocar essas características frente à frente. Mas como nem todo azul é turquesa, tem gente que odeia essas minhas comparações, e como ambas as editoras já travaram batalhas épicas nos tribunais pela autoria ou pelo direito de alguns personagens ou conceitos, num país onde os mesmos precisam sofrer mudanças consideráveis para manter sua, a propriedade amarrada ao selo da editora, já que os direitos de obras ou personagens em quadrinhos se dissolvem bem mais rápidos que os de outras obras intelectuais, o conceito de novo ou exclusivo se torna tão volátil a ponto de ser o combustível perfeito para esses tipos de discussões.

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