Harlan Jay Ellison

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Essa semana, no último dia 28/06, faleceu Harlan Ellison, um dos mais aclamados autores de ficção científica dos últimos tempos, um verdadeiro influenciador da gênero de ficção especulativa da nova era. Um autor de mais de 1.700 trabalhos entre contos, novelas, ensaios, roteiros, HQs, entre outros, além de uma numerosa lista de críticas sobre cinema, televisão, livros e mídia impressa.

Pode até parecer que você não o conhece, mas se surpreende ao se dar conta que muita coisa do que você viu ou gostou teve sua participação ou criação direta. Entre os seus trabalhos estão “Um Menino e Seu Cachorro”, “Eu Não Tenho Boca e Eu Devo Gritar“, ” ‘Arrepender-se, Arlequim!’ Disse o tique-taque ” e a que mais gosto, Jornadas nas Estrelas: “A Cidade a Beira da Eternidade”. Harlan foi editor e antologista de “Dangerous Visions” (1967) e “Again, Dangerous Visions” (1972).

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Em sua trajetória foi ganhador de inúmeros prêmios, incluindo repetidos Hugo (Gemsback) AwardsNebula AwardsEdgar (Alan Poe) Awards.

Ellison nem por isso tudo deixou de ter uma vida tranquila como se imagina de todo profissional que alcança um sucesso como o seu. Ele chegou a usar um pseudônimo, Cordwainer Bird para alerta o público quando achava que o seu trabalho estava sendo mutilado. O primeiro desses trabalhos, no qual ele assinou o nome, foi “The Price of Doom“, um episódio de Voyage to the Bottom of the Sea (embora tenha sido digitado incorretamente como Cord Wainer Bird nos créditos) e um episódio da Lei de Burke (“Quem Matou Alex Debbs?“) Creditado a Ellison contém um personagem com este nome, interpretado por Sammy Davis Jr.

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O apelido “Cordwainer Bird” foi uma homenagem ao escritor Paul M. A. Linebarger, mais conhecido por seu pseudônimo, Cordwainer Smith. A origem da palavra “cordwainer” é sapateiro (de quem trabalha com couro cordovam de sapatos). O termo usado por Linebarger deveria implicar a diligência do autor de pulp fiction.

O apelido de Bird se tornou um personagem em uma das histórias de Ellison, em seu livro Strange Wine , ele explica as origens do Bird e prossegue afirmando que Philip Jose Farmer escreveu Cordwainer para a família Wold Newton, que o escritor havia desenvolvido. O pensamento de uma lição de objeto tão extravagante sendo relacionada a luzes como Doc Savage, The Sahdow, Tarzan e todos os outros heróis da celulose levou Ellison a brincar com o conceito, resultando na “The New York Review of Bird“, em que um pássaro irritado descobre os segredos mais escuros do estabelecimento literário de Nova York antes de começar uma matança pulpish do mesmo.

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Em sua carreira Ellison usou outros pseudônimos não tão marcantes, mas não menos importantes, que incluem Jay Charby, Sley Harson, Ellis Hart, John Magnus, Paul Merchant, Pat Roeder, Ivar Jorgenson, Derry Tiger, Harlan Ellis e Jay Solo.

Outras curiosidades: Ellison foi o criador da saga de Jarella (imperatriz do Reino Subatômico de K’ai) para a revista O Incrível HulkStephen King, em seu livro Dança Macabra, cita a coletânea de contos Strange Wine com uma das dez melhores, ao lado de O Bebê De Rosemay e Os Mortos-Vivos (Ghost History, de Peter Straub). Na seção dedicada a ele, King resume alguns dos contos da coletânea. Croatoan lida com as lendas urbanas dos esgotos da cidade de Nova York; From A to Z, in the Chocolate Alphabet é uma espécie de glossário, em que cada termo é um micro-conto fantasioso e aterrorizante (King cita Pessoas do Elevador e Hamadriade).

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Entre muitas homenagens a sua carreira, trabalho e importância para o universo de fantasia e de horror, uma das mais carismáticas foi em Scooby Doo! Mystery Incorporated onde Ellison foi eternizado e teve todo um arco desenvolvido em volta do seu personagem.

Harlan Ellison faz parte deste grupo de escritores com cachimbo na boca e um copo de whisky na mão e que aparentemente venceria o tempo à frente de sua máquina de escrever, mas o tempo é um inimigo cruel e o termo pulp fiction e a ficção especulativa parecem perder parte do sentido quando imaginamos essa nova era sem pessoas como Harlan “Cordwainer Bird” Ellison para ditar os rumos do imaginativo fantástico e antever o futuro distorcido que espera à humanidade.

Harlan Jay Ellison – 27 de maio de 1934 – 28 de junho de 2018

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