Um vazio de encher os olhos

Hollow-Season-1
Passeando pela grade da Netflix outro dia, me deparei com uma novidade, a série “the hollow – o vazio”, uma animação canadense, em dez episódios, que leva o selo original da casa, e esse foi o meu primeiro chamariz. Afinal, confesso ser fã das bizarrices que o streaming tem coragem de arriscar, principalmente nas animações. Mesmo o mais infantil dos desenhos muito provavelmente não se encaixa nos padrõezinhos bobocas, dando ao público, quase sempre, uma experiência minimamente interessante. A série “As lendas” foi uma surpresa nesse estilo.

Então, entrando no guia de episódios do tal vazio, fiquei chocado com o que li na descrição do terceiro ato:

“O trio encontra os quatro cavaleiros do apocalipse”.

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Um desenho com cara de Ben 10 em que os protagonistas encontram a Dona Morte e Cia? Impossível dizer não…caí dentro imediatamente, e logo que a introdução rola, com uma trilha a la Stranger Things, você já sente o climão de mistério se estabelecendo. Quando Adam, Kira e Kai, os personagens principais, despertam desmemoriados no interior de um quarto sinistro, sem portas ou janelas, cujo vazio total é quebrado apenas pela enigmática presença de uma antiga máquina de escrever, VOCÊ acaba, mais uma vez, aprisionado pela já batida e infalível pergunta: como eles foram parar ali?

                       vazio
A simplicidade no traço e animação meio vetorial não são por acaso. Provavelmente, de cara, os mais experientes (pra não falar velhacos) matarão o segredo principal da série por conta disso e das inúmeras referências que vão se somando pelos tão bem utilizados vinte e poucos minutos de cada episódio. Mas aí temos dois pontos de destaque: primeiro que, mesmo sabendo do que se trata, o desenho consegue continuar te envolvendo, enquanto faz uma transição, de um survival horror infanto-juvenil para um cenário completamente nonsense. Em segundo lugar, justamente esses toques fantásticos surreais acabam por despertar nos órfãos oitentistas uma gostosa saudade dos grandes clássicos. Crianças com superpoderes perdidas num mundo cheio de monstros e outras pirações? Alguém pensou em Caverna do Dragão por aí? Bem…eu pensei em muitos momentos. Como quando o “cara esquisito”, um afetado mestre dos magos dono de um muito útil, mas finito, poder de teleporte, surge, ou quando se revela o último grande desafio.

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É uma comparação desleal a minha. Obviamente que Caverna do Dragão supera em muito a experiência de “O vazio”, sobretudo pelo número reduzido de episódios e pouco tempo para se explorar personagens secundários muito bacanas (talvez, numa decisão condizente com a chave do roteiro, eles precisassem mesmo serem velozmente descartados). É verdade também que muitos animes, hoje tidos como clássicos, já trabalharam o tema de forma bem mais profunda. Mas nada disso tira o grande êxito da série, que consegue mergulhar na fantasia, com uma aventura dinâmica e cheia de suspense, usando de uma linguagem capaz de juntar a gurizada dos últimos 40 anos.

Ah…e o final??? Dá pra rolar umas teorias, hein?

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Uma resposta para “Um vazio de encher os olhos

  1. Comecei a ver e vou te falar… Não é revolucionário… Reutiliza várias mecânicas já vistas em outros matérias que se tornaram clássicos. Mas… o faz de forma competente e consegue prender bem. Também recomendo!

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