Vingadores – Crítica Infinita

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Finalmente o choque passou. Estou recuperado daquele final avassalador. Minha cabeça está no lugar, e eu já passei da fase de balbuciar palavras desconexas para a de formar frases bombásticas como essa:

Não! Guerra infinita não é nem de longe o melhor filme da Marvel!

Calma, guerreiro. Antes de arremessar suas pedras, deixa eu desenvolver meu ponto de vista. Pra começar, guerra infinita não pode nem ser chamado de filme (tomei uma na testa agora). Sabe, essa peça me lembra muito um ova na verdade. Se eu caísse do espaço nesse instante, sem ter tido nenhum contato com os 10 anos de MCU, o que veria na tela além de uma aventura com um roteiro cheio de pontas soltas, nada inovador, e lotado de personagens com os quais eu não possuiria o menor laço emocional? O que quero dizer é que Guerra Infinita depende muito do background desenvolvido ao longo da década. Tudo o que aconteceu pra trás precisa estar muito bem sedimentado nas mentes para que ele comece a ser bom. E sim, essa base realmente existe, sendo excepcionalmente construída e tudo, mas falar isso serve mais para destacar o bom trabalho feito até aqui do que, propriamente, para exaltar alguma qualidade do próprio. Pra mim, ele é muito mais um episódio especial, uma festa, do que um filme em si.

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Contudo, ainda que relevemos essa questão do passado, e olhemos para guerra infinita como um filme, ele ainda não pode ser qualificado como o melhor de todos por uma razão simples: Ele ainda não acabou.

Um dos grandes méritos deste terceiro Vingadores é, justamente, a quantidade de ganchos e expectativas criadas para o quarto. As teorias simplesmente não acabam, e os spoillers do filme que ainda nem estreou se acumulam pela rede. Aos poucos, notas oficiais, vacilos dos atores nas entrevistas de divulgação e fotos vazadas, começam a fechar um quadro legítimo sobre o que virá. Mas, pelo menos pra mim, corre o risco deste não ser tão profundo quanto o que se tem especulado e, pior, pode nem amarrar as tais pontas, algumas delas tão importantes que, sem o devido carinho, podem transformar as quase três horas iniciais do evento em mera encheção de linguiça.

“Spoillers a frente! Cuidado Hector!”

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Bem, está muito claro que teremos, pelo menos, uma turma de vingadores viajando pelo tempo. Segundo o ilurkthings, do site Reedit, a fonte que fez o mundo tremer por ter acertado 99% do roteiro do 3, o instrumento usado para esse fim será a tecnologia Pym, e o maravilhoso universo quântico. (Aliás, caiu uma caneta aqui no chão…chega aqui…rapaz, você tem visto esse montão de gente falando UNIVERSO QUÂNTICO com uma bocona cheia de autoridade? Será que todos esses físicos realmente estão por dentro do que é isso?)
Enfim…ainda no spoiller do senhor…., esse passeio pelo espaço-tempo vai levar a leeeeeeves alterações na luta final contra Thanos…tipo um Mjolnir restaurado!!! Desde quando isso é leve?! Sou cria de “de volta para o futuro”, cara. Se uma mudancinha que seja transforma toda uma realidade, imagina então o martelão de volta! Pra começar, isso pode, simplesmente, significar que alguns eventos de filmes anteriores seriam cabalmente afetados…talvez até apagados! Toda essa bagunça só poderia ser resolvida, pra me fazer levar a sério o negócio, ou com a criação de um multiverso ou com um Reboot de verdade, tipo jogar os números da revista pra zero. Maaaaaas, pelo que entendi do vazamento, esses “detalhezinhos” serão absorvidos pelo universo sem grandes consequências para a continuidade. Ou seja: covardia. Pra mim é assim, mexeu com viagem no tempo então seja homem pra matar essa bola quadrada no peitoral e explora essa bagaça com competência. Só o que nós não precisamos é de um novo rodopio ao redor da terra pra salvar a namorada.

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Outro ponto que tem me deixado grilado é que a linha apontada pelos spoillers até aqui, transformam a cena chave de guerra infinita em algo sem a menor relevância. Estou falando da luta em titã, claro! A coisa é tão doida que acho que nem consigo explicar…mas vamos tentar. Primeiro, antes da luta e ainda com a posse da joia do tempo, Estranho faz aquela análise hiper debatida sobre os 14 milhões de futuros e a única chance de vitória (talvez se ele tivesse esticado pra 15 teria visto uns 500 mil finais legais, né?). Tudo leva a crer que a cena que se segue, com o grande duelo contra o malvadão, faz parte deste futuro. O problema é que a batalha estava ganha! Thanos estava completamente rendido quando Peter Quill botou tudo a perder. Havia uma infinidade de ações a serem tomadas naquele instante derradeiro que acabaria com o assunto no ato. Só o Estranho, com sua jóia e sua magia de teleporte, poderia pôr uma pá de cal na história e nem precisaria estalar os dedos. Mas não fez…deixou a vaca ir pro brejo entregando a jóia. Agora pensa. Se imagine na estreia do 4, quase se urinando de ansiedade, a espera do porquê, e ao ser arguido da razão de ter feito o que fez, Estranho responde secamente: Porque jamais venceriamos aquela luta.

Rapaz, confesso que esse tem sido um dos meus maiores pesadelos. E te pergunto, se isso acontecer (algo muito possível) tem como dizer que Guerra Infinita foi o melhor de todos? Todos os heróis voltando, a luta que mais precisa de uma explicação se resumindo a um “porque perderíamos”, e, de repente, a maior bilheteria da casa terá sido para a maior enganação da história do cinema!

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Então, calma…temos que parar com essas críticas precoces. Com as bobagens como “em Snyder eu confio”.

Mas o pepino continua, e aqui vem a problemática complexa mesmo. Outro dia um nerd fez uma observação importante. A Anciã, mestra de Estranho, lhe disse antes de morrer que nunca conseguiu ver o futuro além da sua morte, coisa que o doutor faz se entendermos que ele viu tudo o que se seguiria após o desaparecimento da sua metade do universo. Mas tá…ele tinha a jóia! É diferente. Ok. Pode ser. Isso entretanto, não diminui a estranheza (dãã ) do que o mago supremo conseguiu. Ele não apenas viu o futuro…ele viu que os heróis voltariam no tempo, mudariam o passado, afetariam o presente e venceriam a batalha. Cara, mesmo ele sendo um observador nessa caixa de Schrödinger, eu penso nisso e uma sirene berra na minha cabeça. PARADOXO! PARADOXO! Se esse é um filme sério, e quer mexer com esse vespeiro, não dá pra simplesmente fazer qualquer coisa ignorando as consequências no presente e na ação do próprio doutor ao entregar a jóia.

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Ufa! Resumindo: Vingadores 3 é, literalmente, uma introdução. Tratá-la como obra prima é um erro grave que pode levar (espero que não) a muitos corações partidos. Ele é total dependente, pra frente e pra trás, de complementações importantíssimas. Se o capítulo seguinte for mediano, tudo não vai ter passado de uma enorme perda de tempo.

Ah…mas teve o Thanos. Bem. Concordo que ele ficou mais profundo. Suas motivações mais humanas. Contudo, não sei o quanto isso foi realmente bom, afinal o amor dele pela Morte era um diferencial do personagem. Dava a ele uma loucura tão interessante e assustadora quanto a do Coringa do Ledger. A Marvel precisava de um vilão assim.

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