Black Lightning – Primeiras Impressões

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Para muitos que veem Black Lightning nas telas, personagem criado por Tony Isabella e Trevor Von Edon em 1977, por terem nascido depois dos anos 90, podem achar que ele se parece demais com outro personagem muito semelhante, Static Shock (Super Choque, no Brasil), e não é por nada: ambos são personagens negros, com poderes elétricos, moram em bairros dominados não só pela sua etnia, mas também pela violência e discriminação, e lutam contra uma gangue local muito influente.

Para fazer uma pequena introdução, confesso que fiquei desconfortável quando ouvi falar pela primeira vez de Static Shock, eu não podia crer que tinham criado um personagem que era a cópia escarrada de um dos meus mais queridos membros dos Super Amigos, principalmente naquele período de reborns e rebirths que assolavam as páginas dos grandes HQs da época.

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Mas o personagem criado por Dwayne McDuffie e John Paul Leon em 1993 cresceu e se mostrou digno da alcunha, principalmente depois que a DC começou a assumi-lo dentro da cronologia de outros personagens e de certa forma, o seu futuro ficou muito próximo ou misturado ao meu personagem querido.

À cerca de duas semanas foi a Grand Premier do primeiro episódio de uma série que chegou quieta, mas muito esperada entre os fãs, com lançamento digno de Hollywood, tapete vermelho pra estrelas e convidados, e que convidados, valorizaram o pessoal do meio, roteiristas, desenhistas, algo que anunciava que aquilo era algo feito de fã para fã.

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Essa semana chegou no meu feed da Netflix o aviso de que já estava disponível o primeiro episódio, então começou a tensão, coloquei todo mundo pra fora de casa, apaguei as luzes, tomei um bom copo de água e fui lá encarar, ver se minhas expectativas eram as corretas ou se meus medos venceram.

Tinha um medo sim, apesar do sucesso das séries da DC e de todas as suas possibilidades com toda aquela gama de linhas temporais ou mundos paralelos, Black Lightning não tinha aquela pegada tão jovem dos outros personagens, mas a expectativa acabou vencendo e até agora não sei se, e como, esse personagem vai se enquadrar no Universo Expandido da DC.

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De cara a indicação etária já me fez arrumar a minha postura no sofá, pulou logo de 12 para 16 anos em relação às outras, Arrow até então era a única com uma indicação maior, de 14 anos. Essa mudança se justifica de cara, a abordagem e o próprio roteiro levam a isso, mantendo toda a sua estória de pano de fundo bem fiel à do personagem original nos quadrinhos com apenas um detalhe, ele estava envelhecido e aposentado.

Os anos se passaram para o personagem, mas não para os problemas que o afligiam e protegido sob a redoma de um micromundo criado por ele mesmo em volta da escola da qual era diretor, o ex-atleta vivia sendo um exemplo de pai, criando e protegendo suas filhas, até os problemas baterem à porta de casa.

A gangue The 100 estava cada vez mais forte e controlando Freeland, mas o que ele não sabia era que Tobias Whale ainda estava vivo, por trás de tudo e ainda mais cruel, a ponto de ter um aquário de piranhas só pra poder dar os seus desafetos como comida pra elas.

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Tratos são quebrados, promessas desfeitas, fronteiras rompidas e o inevitável acontece, antigos amigos são visitados e ele está pronto, mais forte, menos paciente e cansado, mas disposto pra proteger os seus, que demonstram não ser tão diferentes dele, no espírito e na “força”. Há muito ainda pra acontecer e é muito cedo pra se determinar um ponto que defina se a série vai decolar ou não, mas ela chegou colocando os dois pés na porta, mostrou à que veio, apresentou todo o seu roteiro, passado, conflitos pessoais, inimigos, dilemas morais e sociais, tudo isso em um único episódio deixando atônito quem assistia e justificando todo o projeto e trabalho dedicado para o seu lançamento que parecia exageradamente glamouroso.

Para quem conhece um pouco que seja da história do personagem nas HQs consegue distinguir todos os ingredientes de sua primeira aparição, às favas se os fãs novatos vão achar parecido com um certo moleque de cabelos com dredds, está tudo lá, mesmo que tenha se passado 10 anos, ele agora precisa vestir de novo aquele uniforme, precisa proteger a sua família, o bairro onde elas andam, a escola onde estudam, o shopping onde passeiam.

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Podemos esperar novos personagens com superpoderes, aparição de outros fora dos arcos das outras séries, até um Static Shock fazendo uma visitinha, mas dificilmente Black Lightning vai perder o seu foco social, que é uma característica forte do personagem na luta pela igualdade e o direito individual.

Há certo ar de alívio para um fã que temia, e muito o que poderia ter sido feito, em ver que outros personagens, mesmo de outras editoras poderiam ter tomado um rumo melhor, em perceber que existe sim um grande potencial e ficar ansioso com o que está por vir.

O próprio Tony Isabelli, criador do personagem disse em entrevista recente que suas expectativas eram altas quanto ao material a ser produzido mesmo tendo tido apenas um contato inicial com o material de apresentação em vídeo e lido um escopo do roteiro. Os atores escalados também foram responsáveis pelo seu entusiasmo fazendo crer que Black Lightning possa se tornar a melhor série live action da DC/Warner pelo seu contraponto realístico em relação aos fantasiosos das outras séries.

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Mas ainda não sei como isso tudo se encaixa, se será possível certos crossovers que já são comuns e esperados em cada meio de temporada das séries da DC/Warner. A série já entra na midseason em relação as demais, fora o fato de ela estar sendo filmada em Atlanta enquanto as outras estão em Vancouver, o que criaria uma logística quase impossível, mas vale lembrar que não foi tão impossível assim quando o nosso querido Flash quis fazer uma visitinha à nossa amiguinha kriptoniana. Pelo menos por enquanto isso não está nos roteiros.

Confesso, sou DCnauta sim, de carteirinha, e estou sentado ainda no sofá esperando essa bendita terça feira chegar pra assistir ao próximo episódio.

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