Viva! A Vida é uma Festa: Opinião

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Foto: Disney-Pixar

Quando voltei da exibição desse filme, no último sábado, a noite era chuvosa. Horas antes, eu estava preso dentro de casa, por opção, revendo algumas aplicações para vagas de emprego enquanto pesquisava artigos online para o livro que estou escrevendo.

Conciliar sonhos e obrigações como o pagamento das contas, faz parte da história diária de quase todo mundo. Eu havia reservado dois ingressos para o cinema não muito longe daqui de casa e cheguei a pensar em cancelar devido ao mau tempo lá fora. Entretanto, sabia que precisava de um pouco de ar e distração. Eram muitas preocupações me sufocando.

Procurando mais motivos para sair de casa, lembrei que o filme a ser visto naquele início de noite era mais uma obra da Disney-Pixar. O trailer desse novo filme não havia me chamado tanto a atenção. Na verdade, eu achei o plot bastante similar a animação de 2014 Festa no Céu (The Book of Life) e por se passar também durante o Dia dos Mortos (Dia de Muertos) da cultura Mexicana, achei que poderia ser um bom filme, apesar de mais do mesmo.

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Miguel e Héctor. Imagem: Disney-Pixar

Enredo:

Apesar do desconcertante banimento da música em sua família à gerações, Miguel (voz do recém-chegado Anthony Gonzalez) sonha em se tornar um músico famoso como seu ídolo, Ernesto de la Cruz (voz de Benjamin Bratt). Desesperado para provar seu talento, Miguel encontra-se na deslumbrante e colorida Terra dos Mortos, seguindo uma misteriosa cadeia de eventos. Ao longo do caminho, ele conhece o encantador trapaceiro Hector (voz de Gael García Bernal), e juntos, partem em uma jornada extraordinária para desvendar a verdadeira história por trás da história familiar de Miguel.

Autores e Diretores:

O filme foi escrito e dirigido por Lee Unkrich, co-escrito e co-produzido por Adrian Molina. Muitas vezes as pessoas não se interessam tanto pelos responsáveis por de trás das animações e roteiros, mas eles são essenciais para que qualquer obra consiga realmente ganhar vida. Lee Unkrich, por exemplo, é um dos nomes mais importante da Pixar, e a pessoa que trouxe uma das animações mais tocantes do estúdio: Toy Store 3, além de ter co-dirigido vários outros filmes como Monstros S.A. e Procurando Nemo.

Músicas:

Viva! A Vida é uma Festa é sobre família, conectar-se com os entes queridos e a busca dos seus sonhos. De acordo com o diretor Lee Unkrich, está tudo enraizado na música. “Viva! tem música em seu DNA”, diz o diretor. “A música molda o filme. Alguns personagens são músicos, enquanto outros não querem nada com isso”.

O co-diretor Adrian Molina diz que a proibição da música na família Rivera não dissuadiu o protagonista. “Nosso personagem principal, Miguel, é tão apaixonado pela música e ele é realmente talentoso”, diz Molina. “Então, sua jornada para perseguir seu sonho é naturalmente preenchida com música. Temos música tradicional mexicana, canções originais escritas para o filme e uma bela pontuação de Michael Giacchino”.

De acordo com Unkrich, os cineastas queriam que o filme honrasse seu cenário, mas com uma qualidade inesperada. “Nós encorajamos a equipe a ser fiel à música mexicana tradicional, sem tirar a liberdade de abraçar novos sons”, diz ele.

“Nosso principal objetivo é que o público se afaste do cinema sentindo que eles visitaram Santa Cecilia e passaram um tempo na Terra dos Mortos”, acrescenta Tom MacDougall, vice-presidente executivo de música da Disney. “Se pudermos dar-lhes uma experiência musical autêntica, isso os ajudará a fazer uma conexão duradoura com o filme”.

Felizmente, a proibição da família Rivera sobre a música não se estende ao próprio filme. “Eu adoro a ironia”, diz a produtora Darla K. Anderson. “Temos uma família com essa inexplicável objeção à música que vive em um país que está enraizado nela. Em Viva!, prestamos homenagem a todos os diferentes estilos de música mexicana”.

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Foto: Disney-Pixar

Opinião:

Eu pensei em começar pela parte visual do filme, que com sua riqueza de detalhes, cores e animação, superou qualquer expectativa que eu pudesse ter. Depois, pensei em comentar sobre o trabalho de pesquisa incrível que foi feito sobre a cultura Mexicana, tanto sobre o Dia dos Mortos, quanto das cidades e costumes. Decidi, entretanto, começar pela história: apesar do final não ter me surpreendido no ponto de vista narrativo, todo o restante do filme foi um atropelamento emocional violento.

Não sei por que tentei segurar tanto as lágrimas, mas felizmente foi tudo em vão. Chorei como poucas vezes chorei assistindo um filme. Há todo um zelo na produção dele que até o mais distraído, mesmo não percebendo, poderá certamente sentir. A forma como eles retratam os relacionamentos familiares, as perdas inevitáveis, as dinâmicas de convivência, tudo trazendo ensinamentos não apenas aos mais novos, mas principalmente aos mais velhos, sobre os valores da vida.

O protagonista Miguel, tanto quanto eu e você, possui sonhos e se vê dividido entre seguir atrás deles, e suas responsabilidades para com trabalho e família. Viva! não é apenas sobre o poder da música, mas sobre o peso das nossas escolhas e o quanto elas afetam aqueles que amamos. Antes de chegar em casa, o impacto que o filme produziu já me obrigava a digitar algumas linhas sobre o que eu estava sentindo. Não para vocês que estão me lendo aqui, mas para minha mãe, no Brasil, de quem tenho sentido tanta falta.

 

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