Dark Souls – Opinião dos Guerreiros

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Artorias do Abismo.

Quando decidimos criar esse espaço para compartilhar nossas opiniões e percepções, uma das nossas maiores inspirações foi nossa paixão por certas obras, tanto da indústria cinematográfica quanto dos games. O escolhido por nós desta vez é Dark Souls. Sim, já falamos dele antes aqui, mas dois fatos nos levaram a decidir falar novamente sobre a franquia e especificamente sobre o primeiro jogo: um dos nossos experimentou a versão Prepare to Die, pela primeira vez nas últimas semanas e teve uma forte reação, e o anúncio de que uma versão remasterizada seria lançada no próximo dia 25 de Maio no Ocidente, para todas as plataformas atuais, inclusive Nintendo Switch.

Vários membros do nosso círculo experimentaram algum jogo da franquia Souls. Seja Demon’s Souls, considerado o primeiro lançado pela From Software a usar os elementos e mecânicas que seriam vistos nos demais jogos, seja em Dark Souls, suas continuações e sucessores “espirituais”. Dark Souls 3 e suas expansões foram discutidas por um de nós inclusive aqui. Então, tivemos a sombria idéia de nos reunir em volta de uma Bonfire e compartilhar entre nós, e com vocês, algumas experiências de jogar Dark Souls.

Hector Blanco, autor dos primeiros 2 posts sobre a franquia e o responsável por me fazer voltar a Lordran.

Minha experiencia com o primeiro Dark Souls.

Vocês sabem que eu sou um cara que prezo muito o storytelling, já viram minhas crítitcas de filmes e tals. Eu tava muito, mas muito decepcionado com a indústria dos games justamente porque os games que caiam na minha mão eram basciamente divertimento momentaneo, estilo Mario sacas, que tu senta ali, joga, e quando cansar, cansou. E a tua experiência foi essa.

Quando peguei DS eu nem acreditei no que tava jogando, o gameplay era liso, meio travadão para a época mas respondia bem pra caceta. Nunca eu morri de primeira porque o personagem demorou a fazer o que eu queria. claro que levei tempo pra pegar o timing das paradas, mas depois disso, um abraço.

O jogo era desafiador pra caceta, levei semanas pra passar do Ornstein and Smough, mas o que me pegou foi a historia. Rica, ao mesmo tempo incompleta, profunda e principalmente depressiva. Eu gosto de histórias depressivas porque normalmente tem um storytelling bem melhor, porque precisam ser mais bem trabalhadas pra vender.

A sensação de que o mundo vai pro saco e não há nada que voce pode fazer pra impedir é fenomenal, mas claro que você só sente isso depois de pelo menos uma zerada e de chafurdar muito no plot.

Isso me cativou de uma maneira absurda.

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DS foi o primeiro game que eu fui correr atrás de comunidade, de fórum, de youtuber de qualquer coisa que a comunidade colocasse online. Conheci gente bacana, discuti ideias e me aprofundei cada vez mais no mundo de Lordran. E cada coisa que eu aprendia, cada descrição de item que eu lia, me cativava ainda mais.

Depois de várias jogadas e vários runs, as coisas meio que ficam no automático e confesso que mesmo depois de muito tempo eu ainda jogo, só que agora com cheat ate o talo, porque o que eu quero mesmo rever é a ambientação, falar com NPCs, escavar linha de diálogo que voce nunca conseguiu pegar e tô nem ai pra matar um boss ou não.

Acho que isso resume bem.

Samuel Sol, PC Player, Programador e pai do Bruce. Nosso convidado e último do Círculo a ter experimentado Dark Souls.

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Ok. Desisto do jogo. Antônio estava certo e vocês são todos loucos.

Morri de bobeira. Beleza, vou recuperar. Saio do bonfire, entro numa sala. Não consigo fazer nada. 4 esqueletos. Chain lock. You Died. Jogo idiota.

“Você tem que pegar a mecânica da coisa, e morrer muito, mas muito mesmo…”

Passo. Não tenho esse tempo.

“Leia algum guia pra você pelos menos saber se guiar melhor (por onde vc vai morrer) no jogo”.

De novo: não tenho esse tempo. E a jogabilidade até agora não valeu o esforço.

Nah. Cara. Uma coisa que vem com a idade é o tempo reduzido. Entre trabalho, casamento, e filho pequeno, tenho, quando muito, 1 hora por dia para jogar algo. Em geral, são apenas 3-4 horas em uma semana.

Não. Vou tentar dar mais uma chance ao jogo. Vou na miúda, beleza, tudo bonitinho. Maior cautela. Passo da galera que tinha me dado trabalho. Ok.

2.5k souls, nunca tive tanto. Opa, acho uma porta que abro com master key.

Aparece um inimigo que é literalmente 1 shot, você está morto.

Se os controles fossem bons e a história já tivesse algo agora ok, mas não.

Estúpido. Jogo estúpido. Desinstalado já.

Nope. Valeu. Tenho coisa melhor para fazer com meu tempo

Passou o tempo de tutoriais ruins, falta de informação e controles abismais. Sério, se eu estou jogando no PC, porque não posso mudar os binds do meu controller? Quem coloca ataque no Shoulder? Sério, porque eu não posso mudar o layout dos controles? Isso não faz o menor sentido.

Se você vai fazer um jogo muito difícil, pelo menos garanta que quando o player falhe, que a sensação de culpa foi dele, e não por que o jogo “entrou no caminho”. Dando um exemplo de outros jogos: Enter the Dungeon é um twin-stick rogue-like massa, mas muito difícil, com um fator randômico de drop que força você a se adaptar no run. Nunca passei de nenhum boss do terceiro nível, mas em momento algum o jogo me fez gritar “bullshit”. Já DS fez isso em praticamente todas as salas entre as bonfires iniciais. E morrer é perder todo o seu progresso. Quem tem esse tempo hoje em dia?

As únicas pessoas beneficiadas, por exemplo, por não existir nível de dificuldade em Dark Souls, é quem gosta de se gabar de ter vencido Dark Souls. Cara, o jogo virou cult na minha opinião, em muito porque a galeria começou a utilizar como e-penis. “Eu consigo zerar DS, você não. Logo sou melhor que você.”

E, assim como para muita gente 30fps ou FPS com controle não importa, os problemas de jogabilidade também não. Tipo, quando você diz para uma pessoa que é melhor ler um guia antes de começar o jogo. Não para pegar 100% (tipo Final Fantasy) mas simplesmente para passar da primeira parte pós-tutorial, seu jogo tem um probleminha.

Então, na minha opinião, o jogo é fundamentalmente falho.

Um dos maiores problemas de Dota, para um jogador, é o “burden of knowledge”. 100+ personagens, cada um com pelo menos 4 skills, 3 atributos e n outros fatores, além de uma porrada de coisa não escrita, que se esperava que você simplesmente “soubesse” ou aprendesse com o tempo. A Valve começou a colocar algumas opções in-game que traziam à tona diversas variáveis que eram escondidas.

Parte da comunidade caiu matando.

Disseram que estavam estragando o jogo ao facilitá-lo. Que a Valve não respeitava o conhecimento. Que se quisessem jogar, tinham que aprender na marra e passar centenas de horas, etc.

“you must be this tall to ride”

Essa é a motivação de DS pelo que, todos aqueles que tentam me convencer do valor do jogo, descrevem.

Jogo idiota. Vou jogar Battletoads no NES que me divirto mais.

Sol Klapztein, Designer, PC Player, Nintendo Hardcore Player. Colaborador Freelancer do Mundo Guerreiro.

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Comecei jogando Dark Souls: Prepare to Die Edition algum tempo depois do lançamento, com a controversa versão para PC. Não lembro exatamente as circunstâncias, mas estava motivado pelo hype em torno do jogo e de sua já na época famosa dificuldade. Apesar disso, tirando algumas exceções, nunca fui um cara paciente com jogos muito difíceis, apesar de ser cria da geração NES.

Mesmo assim, começar DS foi impactante. Fazia tempo que não jogava algo tão desafiador. E embora no começo tenha pensado algumas vezes em desistir, passado o susto inicial, peguei imenso gosto pelo jogo, principalmente por três de suas características (que irei explicar melhor mais à frente). A mecânica de aprendizado com os próprios erros, a quase completa remoção de características modernas dos jogos contemporâneos e a ambientação do jogo.

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Smough e Ornstein.

O fato de você ter que aprender com seus próprios erros acaba sendo muito gratificante quando você acerta e progride no jogo; é um aprendizado extremamente recompensador, e é algo que Dark Souls faz com maestria. Ver que praticamente toda a frescurada atual dos videogames modernos, como regeneração de vida, setas apontando o caminho, tutoriais, etc, etc etc, simplesmente não existia em DS também fez com que curtisse muito mais o jogo; nada era dado ou facilitado de graça. Além disso, o mundo de Lordran é vasto, rico (em sua degeneração, horror e caos), e tortuosamente belo, perigoso e carismático. São perigos, novidades e segredos espalhados em cada canto do jogo, colocados cuidadosamente ali para ferrar a vida dos incautos e premiar os insistentes e, por que não também, masoquistas. Até hoje ainda me dá calafrios ao pensar, por exemplo, nos implacáveis Dark Knights. Até conseguir matar um deles foram muitas horas de cautela, tensão e transpiração.

A sensação de perigo por saber que qualquer inimigo chinfrim pode te matar realmente não te ajuda. Fora isso, ainda temos alguns dos bosses mais épicos e desafiadores da história moderna dos videogames, como o Asylum Demon logo de cara, o enjoadíssimo Great Grey Wolf Sif e minha dupla ‘predileta’ de bosses: Ornstein e Smough.

Devo confessar ainda que não escapei e tive que ‘arregar’ de leve ao procurar um guia na internet para amenizar um pouco o tempo de tentativa e erro, pois minha vida de pai e trabalhador não me concedia o luxo das horas e horas necessárias para descobrir por conta própria todos os tortuosos caminhos de Dark Souls. Mas utilizava o guia apenas para saber quais os caminhos tomar e aproveitar melhor o vasto conteúdo do jogo, e não para facilitar minha vida com os inimigos, cenários e chefes. Esses eu enfrentei por conta própria, mesmo.

Glauco Marotta, Andarilho em terras estranhas, PC e PS4 Player, Otaku e um dos membros fundadores do Mundo Guerreiro.

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A primeira vez que joguei Dark Souls foi entre 2012 e 2013. Eu já tinha lido algo a respeito desse jogo na época, que representaria uma certa volta aos velhos tempos, quando os jogos não tinham as mesmas facilidades que encontramos hoje, e da sua atmosfera sombria e trágica. Através de um dos guerreiros (Hector Blanco), consegui a versão Prepare to Die e finalmente comecei jogar. E morrer.

Apesar do clima fantástico, a dificuldade do jogo me surpreendeu. Sua mecânica exigia dedicação e foco. Naquele momento da minha vida eu não dispusera do primeiro, tão pouco do segundo. Deixei o jogo de lado e fui jogar The Witcher 2 (outra série que me conquistou), que também não foi uma tarefa tão fácil, mas que cobrou menos de mim.

Em 2013 eu comprei um PS4. O primeiro jogo que me fez sentir finalmente satisfeito pela aquisição da plataforma se chamava Bloodborne. Diziam que era uma versão de Dark Souls, mas passada em um universo diferente, gótico e com influências Lovecraftianas. Sua dificuldade e mecânia lembravam, de fato, o que eu tinha experimentado entre 2012 e 2013. Foi o primeiro jogo que “platinei” no PS4. Eu tinha compreendido o sistema de tentativa e erro, levado a exaustão, e experimentei a euforia da recompensa por passar por cada inimigo, cada Boss, de explorar e achar cada item e NPC escondido.

Foi então, em 2014, que comecei a jogar Dark Souls 2 em sua versão completa, Scholar of the First Sin. Eu me sentia bem mais preparado depois das minhas muitas horas como Hunter em Bloodborne. Eu não apenas gostei de DS2, como rapidamente absorvi sua mecânica, um pouco mais travada. Ele não era tão sombrio quanto o anterior, fato. O Lore também não era algo tão cativante quanto ao que tanto diziam de seu antecessor.

Eu havia, então, terminado múltiplas vezes Bloodborne e DS2. Mas minha experiência estava incompleta. Eu havia sido derrotado em Lordran anos atrás e meu conhecimento sobre seu Lore era incompleto. Poucas coisas me cativam mais do que um bom storytelling e eu sabia que o primeiro Dark Souls não me decepcionaria. Imaginei que, agora com um bom domínio da mecânica, e sedento por mais estórias naquele universo esquecido pelos deuses, seria o momento certo de voltar a Lordran.

Para morrer. E morrer. E perceber que o design de fases que tanto havia me surpreendido em Bloodborne, na verdade eram versões do que eu finalmente conseguia explorar, mesmo com falsa sensação de segurança, outro ponto que me excitava na franquia. Dark Souls, Prepare-se para Morrer, não era um jogo como todos os outros. Ele era mais depressivo. Mais bruto. Mesmo entre os demais jogos da série Souls, o primeiro DS tinha um espírito diferente, único. Ser o morto-vivo escolhido não significava ser o herói daquela história, mas acima de tudo, uma testemunha de um mundo que foi vencido por forças indomáveis, e da vergonha e queda de vários outros heróis que vieram antes. A majestade de reinos e reis havia passado. A escuridão estava em tudo e em todos.

Na leitura de cada item, na conversa com cada NPC, o jogador passa a se tornar um pouco mais parte daquele universo. Mesmo com as limitações técnicas do port para o PC, dos gráficos inferiores aos das versões seguintes, e de uma única expansão disponível, Dark Souls 1 se tornou um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Quando eu soube que uma versão remasterizada estava sendo produzida, a primeia coisa que pensei foi: Preciso voltar a Lordran. Preciso morrer novamente.

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Gravelord Nito, O Primeiro dos Mortos, um dos quatro seres que encontraram as Souls of Lords dentro da Chama.

Dark Souls e demais jogos da série foram desenvolvidos pela From Software, lançados pela Namco Bandai Games e tiveram a direção de Hidetaka Miyazaki. A versão Remaster será lançada dia 24 de Maio, no Japão, e dia 25 de Maio, internacionalmente, para PC, Xbox One, PS4 e Nintendo Switch.

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