Devilman: crybaby – Opinião

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A boa notícia para os fãs de Animes é que a Netflix decidiu investir pesado, e quer se tornar a principal produtora de material no Ocidente. A má notícia? Ela pode ter escolhido a adaptação de uma obra bastante polêmica para começar, de fato, os trabalhos.

Tecnicamente, a animação Castlevania foi o primeiro Anime original da Netflix. Muitos fãs, porém, não enxergam qualquer produção ocidental, mesmo que usando todas as técnicas japonesas, como um Anime de verdade. Se partirmos desse princípio, então Devilman: crybaby é o seu primeiro Anime original.

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Esse Anime não é para crianças ou pessoas sensiveis a conteúdo erótico, violento e religioso.

Liberado para Streaming desde o dia 5 de Janeiro, o novo Anime da Netflix possui 10 episódios de mais ou menos 25 minutos cada. Ele é uma adaptação de certa forma bastante fiel ao Mangá de Go Nagai em 1972.

Os Autores:

Go Nagai é um Mangaka (Autor e Desenhista de Mangás) japonês e um prolífico autor de ficção científica, fantasia, horror e erotismo. Ele iniciou sua carreira como profissional em 1967, com o mangá Meakashi Polikichi, mas é mais conhecido pela criação de obras semanais como Devilman e Mazinger Z na década de 1970. A importância de suas obras é tamanha, que é considerado responsável por influenciar toda uma geração de artistas com seu trabalho e de ter introduzido o erotismo nos Mangás e Animes. Anos antes da produção de Devilman, Go Nagai já era alvo de polêmicas e a fúria de associações de pais e professores por suas críticas a setores da Sociedade Japonesa, e por ter introduzido erotismo em suas obras, que tinham como alvo também as crianças.

Muitas das adaptações de Devilman, ainda que mantivessem parte do erotismo e violência da obra original, haviam suavizado algumas questões polêmicas do Mangá. Se ainda não conhecem a obra original, não se preocupem: essa nova adaptação da Netflix foi escrita por Ichirô Ôkôchi, que escreveu também Code Geass e Berserk (dois dos meus Animes Favoritos de todos os tempos), o que, por si só, já seria motivo suficiente para eu conferir o resultado, como trás de volta uma boa parte do que fez a obra original ser tão polêmica. Críticas à Sociedade (não apenas a Japonesa), erotismo, violência (não apenas Gore, como também psicológica), blasfêmia e um pouco da visão oriental da principal religião Ocidental.

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Akira e Ryu – Melhores Amigos desde a Infância.

A Arte:

A arte foi algo que realmente não consegui enxergar como ponto alto da série. Talvez tenha conseguido capturar algo de clássico no Mangá, mas em um estilo mais livre, talvez para não tornar a violência ainda mais gráfica. Pessoalmente não é um estilo que me agrada, mas que passado alguns episódios eu acabei me acostumando. Depois de ter assistido metade da série, a arte foi me incomodando cada vez menos. Não sei ainda dizer se houve uma melhora, ou se simplesmente a qualidade do roteiro suprimiu em boa parte minha exigência quanto a arte. Vai desagradar muitos, tenho certeza. Só posso torcer que não seja um fator que impeça a obra de ser assistida até seu final.

Trilha Sonora:

Muitos não costumam se importat com a trilha sonora, desde que ela não tire a atenção da série ou seja, de alguma forma, irritante. Devilman: crybaby consegue surpreender com uma trilha competente, ainda que não seja inesquecível. Em alguns momentos, as músicas conseguiram criar uma atmosfera ainda mais sombria, ao mesmo tempo que nos permitem refletir sobre o que estamos assistindo. Cumpriram bem o seu papel.

Enredo:

A melhor parte de Devilman. Apesar de ser simples, fico imaginando o quanto foi impactante na época ver um demônio sendo mais humano que a humanidade em sua maioria. Temos Akira Fudo, um jovem tímido e inseguro que terá sua vida mudada para sempre quando seu amigo de infância Ryu retorna ao Japão para vê-lo e introduzi-lo a uma realidade onde demônios habitam entre nós, se alimentando de nossos instintos mais primitivos. A adaptação mudou a personalidade de alguns personagens do original, mas sem afetar o roteiro. Trouxe ainda, a história para os dias de hoje e as mudanças tecnológicas que a Sociedade sofreu. É assustadoramente real o retrato que faz do nosso comportamento e para onde estamos caminhando novamente: uma estrada de extremismos e paranóia.

Opinião:

Eu gostei muito dessa nova adaptação por vários motivos: Talvez seja a obra que mais trouxe de volta o material original, respeitando muito aquilo que a tornou um clássico, além de conseguir ao mesmo tempo, atualizá-la sem comprometer. Admito que fiquei surpreso com a Netflix em permitir que esse tipo de material fosse exibido (mesmo com o aviso de MATURE em sua classificação), apesar de ser uma produção original dela. Me faz acreditar que os muitos outros sendo produzidos neste momento também pela Netflix possam realmente revolucionar o mercado de Animes no Ocidente, trazendo muitas alegrias e surpresas aos fãs do gênero.

Devilman talvez faça alguns pensarem que foi produzida apenas para chocar com suas cenas de sexo e violência. Mas quem conhece o material original, seu autor, e o escritor dessa nova adaptação, conseguirá facilmente se alegrar com a volta dessa estória, que tão bem critíca nossa sociedade, nossa hipocrisia e revela o quanto o medo, preconceito e a ignorância apenas nos levarão para um apocalipse nada agradável para a raça humana.

 

 

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