Qual o Futuro do Cinema?

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Quando eu era criança, uma das primeiras coisas que eu fazia ao pegar o jornal do meu pai, depois de olhar os quadrinhos, claro, era procurar pelos filmes que eram exibidos nos cinemas do Rio de Janeiro. Um dos primeiros filmes que eu assisti no cinema foi Fievel, Um Conto Americano. No mesmo ano, meu pai me levou para assistir Robocop. Assistir desenhos e filmes na TV sempre foi ainda mais divertido do que brincar com a montanha de Playmobil, Transformers, Comandos em Ação e finalmente Lego. Mas assistir qualquer coisa no cinema deixava a empolgação da TV para trás.

A experiência de ver um filme no cinema era ainda maior, claro. Era um evento. Não eram apenas os doces e pipocas. Eram os amigos da escola que, vez ou outra, também me acompanhavam. Era a apreensão pelo apagar das luzes. A ansiedade para chegar em casa e ligar para o meu melhor amigo, contando cada detalhe do filme que eu podia lembrar (além dos detalhes inventados para tornar a experiência ainda mais incrível).

Então, um dia meu pai chegou em casa com um aparelho eletrônico novo que mudou toda a minha infância: Um Video-Cassete. Não lembro como meu pai conseguia trazer tantas fitas piratas naquela época (eram os anos 80, ainda), mas sei que foi através das fitas VHS que eu conheci os maiores “clássicos” do momento: Highlander, Conan, Rambo, Bradock, Star Wars, Star Trek, A Hora do Pesadelo, e uma infinidade de pérolas daqueles anos. Logo depois começou a febre das video-locadoras. Junto com as bancas de jornais (por causa dos quadrinhos), rapidamente elas se tornaram também meu point favorito.

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Nos mudamos no final dos anos 80 para uma cidade do interior que possuía apenas um pequeno cinema. Nova escola, novos amigos, e como eu já estava deixando a fase dos brinquedos de lado, não havia muito o que se fazer depois das aulas. O despertar da adolescência trouxe novas paixões e ir ao cinema se tornou uma delas. Era o início da década de 90 e filmes como Meu Primeiro Amor, Máquina Mortífera 3 e Batman, o Retorno, chegavam no antigo Cine Recreio. Eu ainda frequentava as locadoras, mas o cinema voltou a ocupar um lugar especial no meu coração. Desde então, passados quase 30 anos, eu jamais deixei novamente de ir aos cinemas.

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Então veio o final dos anos 90, a Internet e os famosos downloads. Apesar da qualidade péssima e da atividade que até hoje é polêmica, o ato de “baixar” filmes se tornou comum, e diminuiu um pouco a urgência que eu sempre sentia de ir aos cinemas. As video-locadoras foram perdendo cada vez mais força, mesmo depois da mudança das fitas de VHS para os DVDs. Até que, por fim, elas sucumbiram à pirataria das ruas e das casas com PC e Internet. As principais produtoras americanas se uniram e decidiram combater a pirataria. Afinal, as produções estavam se tornando cada vez mais caras com o uso de novas tecnologias e as bilheterias sentiam novamente o impacto de uma nova forma de se assistir filmes.

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Anos 2000. Um empresa americana tenta comprar sua rival, a maior rede de video-locadoras do mundo, Blockbuster. Eles recusam a oferta. Em 2007 essa empresa chamada Netflix, decide deixar o negócio de aluguel de DVDs para trás e investe na plataforma de Streaming online. É um novo mercado e poucos acreditam que o formato poderia alcançar a mesma força das antigas video-locadoras. Em 2010 e 2011, a Netflix expande seus serviços para outros países, como Canadá e Brasil. Em poucos anos, se torna a maior empresa de Streaming de filmes e séries do mundo, enquanto a Blockbuster, assim como a maioria das video-locadoras,  declararam falência.

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As tentativas de inovação do cinema não conseguiram conquistar totalmente o público: 3D? Imagens escuras e expectadores com dores de cabeça não querem pagar um ingresso mais caro. IMax? Se você tiver sorte de morar perto de um cinema com essa tecnologia e não se importar com o ingresso também mais caro, pode até ser interessante, mas dificilmente revolucionário.

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Os números não podem mentir. Bem menos pessoas foram ao cinema em 2017.

Claro, Star Wars e filmes de heróis continuam faturando alto. Porém, quando essas bilheterias são comparadas com anos atrás, podemos perceber que uma queda crescente e assustadora para os estúdios se tornaram um padrão. O número total de ingressos vendidos na bilheteria doméstica em 2017 foi de 1.239 bilhões de dólares, de acordo com o Box Office Mojo. Isso é uma queda de 5,8% em relação a 2016. Mas também é o menor total desde 1992 (1,173 bilhões). A bilheteria doméstica bruta mal cruzou a marca de US $ 11 bilhões neste ano com 11,065 bilhões (graças aos lançamentos de dezembro The Last Jedi e Jumanji: Welcome to the Jungle).

Isso não parece uma queda importante, já que é apenas 3% menor do que o melhor hit doméstico de todos os tempos no ano passado (11,377 bilhões), mas esse número recebe muita ajuda de preços de ingressos inchados – não apenas para filmes em 2D, mas também o preço caro para ver filmes em telas IMAX, RealD e MX4D. Se você olha apenas as bundas nos assentos, o negócio de filmes no cinema precisa de uma renovação. “Os estúdios estão atrasados ​​pelo simples motivo de estar confiando apenas em Remakes e reinícios, e a maioria deles não está sendo bem recebida”, disse Jeff Bock, analista sênior de Relações com Expositor, ao Business Insider.

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Você tem muitos lançamentos no multiplex este ano que estavam cheios de assentos vazios. Então, em vez de ir ao cinema, o público ficou em casa e assistiu o que estava em serviços de Streaming. “As audiências continuam a migrar em massa, em busca de conteúdos diferentes, e isso não parece que irá mudar em 2018 ou em um futuro próximo”, disse Bock. “Os estúdios estão contra a parede e, nos próximos anos, terão de produzir uma infinidade de filmes de qualidade para ganhar o favor do público”.

Ou eles poderiam fazer o que tem sido comum em Hollywood por mais de 100 anos: “Se você não pode vencê-los, junte-se a eles”. Com o anúncio da Disney no verão passado que em breve lançará seu próprio serviço de transmissão, mais estúdios poderiam fazer o mesmo.

Pessoalmente, o que mais me preocupa não é a forma como experimentamos os filmes e sim, a falta de criatividade que o mercado atual se apega para poder garantir lucro. Futuramente, novas tecnologias irão certamente substituir o Streaming por outra forma de exibição. Porém, se os grandes estúdios não voltarem a dar liberdade criativa para roteiristas e diretores, ao invés de insistirem nos Remakes e antigas franquias, a paixão de muitos pelo cinema poderá sim, mudar para sempre.

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