A Lâmina do Imortal – O Filme

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Sempre gostei de estórias de samurais e entre várias obras do gênero, os mangás que se tornaram uma referência para mim foram Samurai X e Vagabond. Quando Blade, A Lâmina do Imortal, mangá escrito e ilustrado por Hiroaki Samura começou a ser publicado no Brasil em 2004, eu não esperava ver nada de muito novo. Provavelmente seria a estória de um ronin em busca de vingança pela morte do seu mestre ou algo do tipo. Me enganei: Já no primeiro capítulo aquele mangá se mostrou uma grata surpresa.

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Aqui vai um breve resumo do Mangá:

No Japão feudal, durante a metade do período Xogunato Tokugawa, 2º ano da era Tenmei (1782), um ronin chamado Manji é contratado para matar aqueles que se negavam a pagar os impostos. Ao perceber que estava matando inocentes, Manji se rebela contra seu contratante e acaba matando ele e todos os seus 99 guarda-costas. Bastante ferido, Manji recebe os cuidados de uma misteriosa mulher, que ao lhe dar o “chá de vermes” acaba lhe concedendo também a imortalidade. Sentindo-se culpado e não podendo morrer, Manji propõe a mulher que, se ele matar 1000 criminosos poderia então, se livrar da imortalidade. Enquanto isso, outro lado de Edo, estava uma jovem chamada Rin, que, ao ter seus pais assassinados por um dojo rival, vaga pela cidade atrás de um mercenário que possa vingá-los, e acaba conhecendo Manji.

E a adaptação para live-action? Como ficou?

O filme tem como um dos seus trunfos o fato de ser dirigido por Takashi Miike naquele que é o seu filme de número 100. Um dos mais prolíferos diretores da atualidade, chegando a filmar 15 filmes entre 2000 e 2001, ficou conhecido por fazer filmes ultra violentos como Ichi, o Matador e 13 Assassinos, outras adaptações de mangás e varios filmes sobre a Yakuza. Não é a sua obra-prima, mas é um filme bem dirigido e que adapta de forma mais do que satisfatória o primeiro arco do mangá. Os duelos e principais inimigos estão todos lá para desafiarem as muitas diferentes lâminas carregadas por Manji. Não esperem por sequencias semelhantes aos dos filmes de ação de Hollywood, mas sim uma brutalidade constante e uma quantidade quase ilimitada de sangue. A forma descuidada e criativa que o imortal apresenta durante os muitos duelos, algumas das minhas partes favoritas no mangá, estão quase todas bem representadas no filme.

A forma repetitiva de sempre se ferir além do possível para um ser humano e continuar em frente lembra muito um certo mutante canadense das estórias dos X-Men. Porém, é possível enxergarmos além disso. Manji está cansado de lutar e ser o último a cair simplesmente por que sabe que vai levantar e continuar carregando o fardo da imortalidade. Os aspectos psicológicos do personagem também foram bem apresentados e sua determinação em não permitir que um certo trauma de seu passado se repita, é o que na verdade o impele a não desistir de continuar lutando, trazendo de volta o tema do ronin que busca recuperar sua honra perdida.

O filme tem falhas? Sim, claro. Como uma adaptação de uma série, é impossível encontrar todos os detalhes do material fonte e por isso algumas partes ficaram visivelmente resumidas e mal explicadas. Como filme de ação, quase 2 horas e meia também o tornam um pouco cansativo. Mas nenhum dos pequenos tropeços consegue mudar o fato de que mesmo um filme mediano do Takashi Miike ainda é um ótimo filme. O Manji do mangá está vivo nas telas do cinema e suas lâminas continuam fazendo justiça.

 

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