Liga da Justiça: O Fim da Esperança

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Da mesma forma que cansei de escrever críticas de filmes, animes e jogos, eu também cansei dessa tentativa vergonhosa do grupo Time Warner de trabalhar com os personagens/ícones da DC Comics. O que trarei aqui não são informações ou uma análise detalhada do filme da Liga da Justiça, mas um desabafo.

Quando a Marvel Studios iniciou seu novo projeto de filmes baseados em seus heróis em 2008, os fãs da DC estavam em sua maioria muito satisfeitos com a abordagem de Nolan em O Cavaleiro das Trevas e na trilogia que se desenhava no momento. A Era dos filmes de heróis havia começado em 2000 com X-Men de Brian Singer e uma visão mais realista e/ou sombria era frequentemente vista nesses filmes. Por mais que os filmes não tenham envelhecido muito bem e alguns deles tenham sido horríveis, a importância desses filmes para os heróis no cinema é incontestável. Muitos dos leitores assíduos de quadrinhos recebia com certa euforia a chegada desses velhos/novos heróis aos cinemas.

Entretanto, tudo o que é demais acaba por enjoar. Não foi diferente com os filmes de heróis usando a estética e identidade visual Dark. A trilogia do Cavaleiro das Trevas mostrou um cansaço evidente em seu último filme. O diretor Zack Snyder em Homem de Aço repetiu uma abordagem mais séria, porém não conseguiu trazer os elementos mais essenciais do Superman. Muitos fãs estavam ansiosos pois a Marvel nos cinemas começava a mostrar seu universo compartilhado e ansiavam ver o mesmo com a DC Comics. Infelizmente o próximo filme, Batman vs Superman, teve críticas muito divididas e ao meu ver foi a maior descaracterização possível de ambos dos maiores personagens da editora. Um Superman agressivo e amargurado, que pouco sorri e muito ameaça. Um Batman com quase 20 anos de carreira e perto de se aposentar, também amargurado e demonstrando se importar ainda menos com a vida do próximo do que Superman no filme anterior. Henry Cavill, apesar do porte físico bem próximo do herói dos quadrinhos, não trouxe 1% do carisma do melhor Superman das telas, Christopher Reeves, enquanto Ben Affleck, talvez por diferenças criativas, atuava sem expressividade alguma no papel do Batman.

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Na esquerda podemos ver o verdadeiro Superman

O terceiro da nova onda de filme da DCU nos cinemas foi Mulher Maravilha, estrelada pela atriz Gal Gadot. Rumores apontavam que os vários problemas na produção haviam comprometido o resultado e as primeiras exibições para a imprensa apontavam para mais uma grande decepção. Muitos fãs não gostaram da escolha da atriz para o papel, reclamando que ela não possuía o porte físico da Princesa Amazona. As expectativas eram tão baixas que o filme surpreendeu a grande maioria, arrancando elogios do público e da crítica, além de um incrível sucesso nas bilheterias. O tom quase inocente e bem mais leve do filme agradou em cheio. Era chegado o momento da Warner repensar o modelo Nolan/Snyder de filmes de heróis.

Enquanto isso, a Marvel apostava na sua fórmula de sucesso, apesar dos seus heróis passarem por arcos de estórias muito semelhantes, e mantinha o tom leve e bem humorado. Parte dos fãs começaram a reclamar do excesso de piadas e do tom quase infantil mas os filmes continuaram arrecadando alto. Provavelmente essa linha escolhida pela divisão cinematográfica da Casa das Idéias deve seguir por mais tempo. O último filme, Thor: Ragnarok, já arrecadou mundialmente mais de 700 milhões de dólares e marcou por ser o primeiro filme assumidamente do gênero comédia da Marvel Studios. Ouvi muitos colegas reclamando que assistir um personagem como Thor em uma comédia era inaceitável e eu achava o mesmo até assistir esse filme.

Então veio o filme do Esquadrão Suicida e bem… Céus… Esqueçamos isso.

Com uma produção ainda mais conturbada, o quinto filme da DC – Liga da Justiça enfrentou desafios complicados. Zack Snyder decidiu por continuar filmando um filme dark, apesar do sucesso de Mulher Maravilha, e os produtores ficaram temerosos que a obra poderia ser tão mal recebida quanto Batman vs Superman. A versão sem cortes foi considerada impossível de ser assistida e para mudar o tom do filme, tivemos a surpresa do diretor de Os Vingadores Joss Wheldon sendo chamado para refilmar algumas cenas, principalmente aquelas onde haviam interações entre os protagonistas, e trazer uma suavidade maior para obra. Após uma tragédia familiar, Zack Snider se afastou definitivamente do projeto e Wheldon assumiu de vez o comando. Apesar dos rumores de que apenas 15-20% do filme havia sido refilmado, é fácil notar pela ausência das cenas vistas nos trailers e pelo resultado final nos cinemas que houve modificações ainda maiores.

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Por mais que eu não tenha gostado do filme Liga da Justiça, todos os problemas na produção do filme não explicam o por que da Time Warner ainda estar um pouco perdida na estrada para encontrar sua própria identidade nos cinemas. Apostar no humor não foi nem de longe o suficiente. Piadas bobas e sem timing atrapalharam bastante o filme. A péssima atuação dos atores, inclusive uma apagada presença de Gal Gadot, não permitiram que ao menos um personagem ficasse mais interessante. Para um filme de 300 milhões de dólares, não há justificativas para efeitos CGI de tão péssima qualidade. O bigode que o ator Henry Cavill teve que manter durante as cenas refilmadas foi facilmente notado. Uma vergonha. Tivemos também o vilão em CGI mais sem graça de todos os filmes já feitos tanto pela DC quanto pela Marvel. Liga da Justiça é um filme sem alma. De corpo mutilado e juntado às pressas. Uma terrível perda de tempo.

Sim, eu sei. Pareço um hater da DC Comics. Não poderiam estar mais errados e é exatamente isso que explica minha fúria contra os filmes desses heróis nos cinemas. Por considerar Batman, Superman, Flash, entre outros, como os maiores heróis dos quadrinhos é que eu me sinto tão ofendido. Usar meu carinho por esses ícones como uma desculpa para falar bem desses filmes não é a melhor maneira de vê-los um dia devidamente retratados. Quando um fã de quadrinhos consegue se divertir e se emocionar mais com um filme dos Guardiões da Galáxia do que com o filme da Liga da Justiça é por que alguma coisa está indo muito, mas muito mal com as produções da Time Warner/DC.

As duas cenas pós créditos sinalizam que a DC está em busca de estórias mais leves e divertidas. Seriam suficientes para criarem qualquer esperança nos fãs dos quadrinhos de que seus heróis poderão trazer finalmente uma genuína alegria aos seus corações? Eu duvido.

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