Bruce Lee – O Dragão Guerreiro!

 

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Há trinta anos, mais um entre tantos meninos sentava diante de uma tv mal sintonizada para, encantado, vibrar com os saltos, rodopios, e, principalmente, poderosos golpes dos gigantes japoneses. Ultraman…Spectreman…e assim as artes marciais entraram em minha vida. Poucos anos depois um tio muito especial (grande Luizão) fez o papel de mediador para que essa minha paixão pela filosofia e lutas orientais  se tornasse um amor arrebatador.

A mágica se dava seguindo rituais com aromas e sons que até hoje não saem da memória. Fitas de videocassete saltando daquelas enormes capas plásticas, o cheiro do filme, a fita entrando no aparelho e todos os barulhos que se seguiam até a imagem surgir na TV. Na tela não havia gigantes prateados destruindo monstros e cidades, mas sim um homem, um chinês de ar arrogante, físico de peso mosca e dono dos movimentos mais velozes e precisos que jamais vi em outro ser humano.

Contudo, o maior poder do nosso herói não vinha de seus punhos. De fato, eles serviam como canais, pincéis nas mãos de um artista. A alma, a essência inquebrantável e infalível do dragão, era a fonte da sua lenda.

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Não sou um desses radicais hipócritas de facebook que, da segurança de suas vidas resolvidas, julgam as limitações impostas pelas diferenças raciais e sociais de mimimi. Mas com Bruce Lee, não tem jeito…o cara foi ao longo da vida, e ainda hoje, entre as estrelas, um símbolo palpável de que a determinação e a fé em si mesmo, quando levadas sempre além do “último gásinho”, são capazes de transformar sonhadores em mitos. A sua famosa “carta dos 10 milhões de dólares”, escrita aos 28 anos para o seu eu futuro, é a materialização desta verdade.

Sua história, já narrada em inúmeros documentários e num filme hollywoodiano meia boca, é marcada pelo desafio!  Nascido numa família abastada (pra minha surpresa, ele era sobrinho-neto de Shang-Tsung (?!), o patriarca de um poderoso clã chamado Iron Lords, e rico empresário euroasiático de Hong Kong), Bruce tinha, materialmente, mais do que o suficiente para passar pela vida sugando tudo o que há de bom, mas a Fúria do Dragão que carregava no peito desde moleque o impelia a mais, muito mais do que o mundo permitia a um garoto chinês. Talvez por isso ele tenha crescido para se tornar um brigão arruaceiro que, incapaz de domar seu temperamento agressivo, se viu obrigado a ir para os Estados Unidos de modo a preservar sua liberdade ou a vida.

A partir daí a agitação de sua alma tornou-se combustível para uma força positiva e construtiva que, devidamente focada, deu à luz a um artista ímpar, com a habilidade de encarar os “nãos” de frente, sem jamais se permitir derrotar. Como disse certa vez numa entrevista, “Ao diabo com as circunstâncias, eu crio oportunidades”.

A tradição chinesa o desafiou. Não poderia ensinar Kung Fu aos não orientais? Ok. Vai então o bom aluno do velho Yip Man criar a oportunidade. Após uma luta definitiva que colocava em jogo seu direito de ensinar, e que foi vencida, obviamente, em três míseros minutos, lançou todo o seu conhecimento sobre lutas, filosofia e psicologia no desenvolvimento de seu próprio estilo marcial: o jeet kune do.

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Diziam que andar com ele era meio que reviver o velho oeste, pois, por onde fosse, mesmo num dia durante as gravações, surgiam camaradas vindos de toda a parte do mundo para desafiá-lo, na tentativa de desmascarar a “farsa”. E Bruce Lee, na medida do possível, atendia a esses fãs especiais entregando o que queriam, não deixando dúvidas de quem era o melhor. Contudo, um inimigo impensado, uma lesão na coluna em decorrência da sua pesadíssima rotina de exercícios, o levou a ouvir de um médico que nunca mais seria capaz de praticar kung fu no mesmo nível. Ah, é? Por seis meses Bruce aplicou em si mesmo toda a filosofia e psicologia que “vendia”, de modo a recuperar completamente seus movimentos e confiança. Resultado: O doutor estava certo…e o dragão retornou melhor do que antes!

A indústria cinematográfica norte-americana não só o desafiou como tentou lhe dar algumas rasteiras desleais (tolinhos). Mesmo depois de ter dado vida a Kato, o rouba-cenas da série besouro verde, e ter se tornado uma estrela mundial por isso, os figurões de hollywood vetaram sua participação como protagonista em projetos escritos por ele, como a série Kung Fu e o filme circulo de ferro, onde “ser chinês demais” poderia não agradar ao grande público. É mesmo? Retornou então para Hong Kong, onde protagonizou filmes de baixo orçamento ( Dragão Chinês e Fúria do Dragão), mas com um retorno de público absurdo, redefinindo, inclusive, o gênero de ação. Com esse currículo, fundou sua própria companhia e, para um próximo projeto, assumiu o controle completo da produção. Com seu talento e uma antológica luta contra Chuck Norris, o mundo, e os descrentes, testemunharam o Vôo do Dragão.

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Demorou…a visão idiotizada dos americanos com relação aos orientais vingou por tempo demais. Mas finalmente, após uma estrada de vitórias inquestionáveis, a indústria se curvou ao poder de Bruce Lee, e a Warner admitiu que não haveria Carradine que o substituísse como protagonista na lendária produção de 1972 intitulada  “Operação Dragão”. Um clássico eterno! Um sucesso de público e crítica que até hoje influencia diretamente a cultura pop. São tantas coisas bacanas que cercam esse filme, como a participação de Jim Kelly, as histórias de lutas internas nos bastidores, o corte na mão do Lee, o braço quebrado do figurante…cara, daria um post só pra ele! Mas, o que não pode deixar de ser mencionado é que esta foi a última obra completa do mestre, que faleceu 6 dias antes da sua estréia.

As causas do seu passamento ainda são misteriosas, embora oficialmente se diga que se deu em decorrência de uma forte crise alérgica provocada por um analgésico. Analgésico? Quem pode aceitar uma explicação dessas para o último dragão? O fato é que, assim como Elvis e outros grandes nomes, a morte tentou desafiá-lo…e perdeu! Sem dúvida, as artes marciais e o cinema de ação seguirão…mas a história está escrita e eternizada…e nunca haverá um novo Bruce Lee.

Dito isto, o mundo guerreiro homenageia o mestre, nascido num 27 de novembro (assim como eu), no ano, no dia e na hora do dragão. Sua lenda persistirá, encantando outros meninos aos pés das TVs, sonhando em seguirem um dia o rastro do Dragão.

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