FUTURE QUEST

Confesso que há muito tempo não me sentia tão empolgado em ler uma série de HQ. Fiquei sem me interessar ou ler depois daquele período de mudanças drásticas e trágicas que assolaram as revistas em quadrinhos nos últimos anos, parecia que todo autor ou desenhista queria impor sua marca no universo da 9ª arte deixando alguma cicatriz na estória de algum personagem.

Eu até posso entender as argumentações, de que o mercado exige e se modifica, mas também tenho as minhas, quem lia quadrinhos a trinta anos atrás não deixa de se interessar ou gostar dos seus personagens favoritos.

Mas nesse meio tempo ainda consegui me surpreender com algumas produções e entre lá e cá posso citar Marvels, Kingdom Come, Watchmen, Crise nas infinitas terras e muitas outras. São dessas estórias que te pegam, te sacodem e te deixam com aquela ansiedade de continuar lendo e torcendo pra aquilo não terminar.

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Tive essa mesma grata surpresa ao me deparar com essa série de publicações feitas pela DC, que traz para as páginas dos quadrinhos personagem icônicos que coloriram minha infância.

A DC juntou personagens da Hanna Barbera e não só os colocou nos quadrinhos como construiu um enredo complexo onde os personagens se encaixam com leveza e singularidade.

Ver estes personagens tomando forma e tendo suas narrativas construída com o cuidado de um fan e o respeito de um criador fez com que essa criança grande dentro mim desse hurros de alegria a cada capítulo que se desdobrava.

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Encontrar a justificativas para as perguntas que me permeavam a mente desde a minha infância para a origem desses heróis, mesmo que anos depois, feita com um cuidado extremo, justificando e atualizando mas não alterando a sua essência é de fazer uma lágrima brotar no canto do olho.

O inimigo comum escolhido para esta série parece ter brotado de uma mente lovecraftiana perturbada, uma personificação do mal extra dimensional com sede de dominação e ávida de terror assola o universo interdimensional dos personagens criando o motivo para a união dos mesmos.

Finalmente pude entender os motivos que impulsionavam os personagens em suas lutas, e como a de todos heróis, extremamente pessoais. Space Ghost inaugura a estória mostrando sua origem já na luta com a criatura maligna e se juntando ao Galaxy Trio que agora parece ser um quarteto, os Herculoids justificam sua presença no planeta Amzot numa narrativa simples e empolgante, com Mightor 45.000 anos no passado transcendendo sua origem.

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O Dr. Quest e sua equipe parecem ser o ponto de convergência de todas essas estórias antes separadas pelo espaço-tempo e agora convergindo para a terra de hoje. Nesse ponto surgem os Impossíveis que parecem terem sidos diretamente afetados pelos eventos e o Homem Pássaro em sua busca pela origem de seus poderes, ambos diretamente ligados à Inter-Nation e ao Falcão 7.

Frankstein Jr tem seu surgimento causado pelo mesmo motivo do Dr. Quest ter se isolado do mundo em sua busca pela paz mundial protegido pelo exército de um homem só Race Bannon, enquanto trabalhava em projetos secretos do governo conheceu seu maior inimigo o Dr. Zin, que junto a F.E.A.R. vê nesses acontecimentos a chance tão esperada de se sobrepor ao Dr. Quest e de dominar o mundo com suas aranhas negras malignas. Parece ficar claro que todos os eventos estão tão diretamente ligados às origens de cada personagem.

Além do roteiro bem escrito e trabalhado, trazem um traço que remete diretamente as HQs da Banda Desenhada que eram publicadas na época em que os heróis da Hanna Barbera surgiram, mas não o traço infantil original, como o enredo é na linha de aventura espionagem e ficção o mesmo aconteceu com o traço, uma mudança ao meu ver que se encaixou perfeitamente à nova abordagem escolhida para os personagens.

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Lembro-me de o Falcão 7 também ser o chefe da corporação para a qual o Falcão Azul trabalhava nos desenhos animados, o que deixa a pergunta no ar de quando e se ele vai se juntar aos outros personagens nessa aventura que pra mim já nasceu épica, mas esse argumento parece ser apenas especulação minha da mesma forma que outros títulos da Hanna Barbera também publicados pela DC devem seguir caminhos paralelos ou diferentes devido à sua linha e abordagem.

A série continua e as aventuras vão se misturando em futuros e passados tão distantes quanto dependentes dos acontecimentos do presente, perdas são consideradas e bem aceitas na narrativa construída com a cautela de quem mexe em um artefato frágil e peculiar responsável por contar a história de uma civilização e destinada a isso no presente.

Não tenho motivos para não gostar com o que foi proposto, talvez motivado pelo saudosismo ou pela surpresa da redescoberta deste universo remontado dos personagens que se mantém encravados dentro das minhas memórias eu venha a ter os olhos influenciados para o que leio, mas, mantendo a redundância das minhas opiniões aqui, é fantástico e renovador encontrar releituras como esta, o que me enche de esperanças para os novos renascimentos anunciados aos quatro ventos pela DC de seus personagens, de que este carinho e respeito continue atravessando as fronteiras do espaço e do tempo.

Para finalizar quero apenas, como fã, agradecer sinceramente a Jeff Parker e Evan “Doc” Shaner, responsáveis pelo roteiro e ilustração desta produção pela entrega e respeito que tiveram com este projeto que já tem um lugar especial assegurado em minha memória presente e futura.

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